Plantio que mal saiu da cova onde a semente foi lançada retrata a tristeza do sertanejo em um ano de seca severa
"A longa estiagem provoca uma série de prejuízos aos agricultores, como perda de plantações e animais e a falta de produtividade causada pela seca provoca a fome." Eis a maior preocupação dos sertanejos neste ano de 2025.
Em Afrânio no sertão do São Francisco, assim como em vários outros municípios sertanejos, a sabedoria popular diz que ano terminado em 5 é bom para chuva e consequentemente para criar e para colher. Entretanto, é o que não está acontecendo este ano.
Sabemos também que a seca é um tipo de desastre natural, fenômeno climático e metereológico com início lento e silencioso, definido por limites espaciais e temporais. Seus principais efeitos são escassez de água e alimentos, afetando diretamente nas condições de vida e saúde das populações.
Pois bem, se todos já temos consciência de que a seca como fenômeno natural de vez em quando vai castigar o povo sertanejo e, que a solução real, seria a construção de barragens e açudes de grandes portes para armazenar água para suprir o sertão nos momentos de estiagem, porque então que os nossos políticos não fazem os investimentos necessários na construação de barragens e açudes para socorrer o povo em momentos delicados assim?
Não me digam que falta espaço na terra, não me digam também que falta recurso nos cofres públicos, até porque basta ser do interesse político partidário, por exemplo, que não falta dinheiro, haja vista a nomeação dos 22 ex-prefeitos que acabaram de deixar seus assentos nas mamães de leite de seus municípios para serem assessores da governadora de Pernambuco. Ou seja, se cada um dessses 22 salários for em torno de 20 mil reais temos uma saída de 440 mil reais por mês dos cofres públicos do estado, o que significa dizer que em 03 meses se teria um montante de quase um milhão e meio de reais o que daria sem dúvidas para iniciar a construção de uma grande barragem. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos de investimentos com o dinheiro público objetivando apoio partidãrio e poder, ao invés de investir visando sobrevivência, saúde e vida.
A Apac que é agência de águas e climas de Pernambuco, aponta que o Estado enfrenta uma seca de moderada a grave em boa parte do seu território. A previsão climática para o primeiro trimestre de 2025 indica chuvas abaixo da média, com pancadas isoladas no Sertão e períodos secos nas outras regiões. De informações como essa a internet e os jornais estão cheios, mas o que temos de concreto em matéria de investimento real para solucionar ou pelo menos amenizar o sofrimento das pessoas?
Em conversa com alguns agricultores do município de Afrânio e da região, o plantio de feijão e milho na maioria das roças sertanejas não saíram da cova onde a semente foi plantada, o que indica que temos dias delicados pela frente. Falta de emprego, a economia capenga e a seca castiga com a falta de alimento e água.
Na fala da governadora ao decretar estado de emergência para quase 120 municípios de Penrmabuco, me preocupa a interpretação do governo em matéria de prioridades, pois vejo o sertão como uma das regiões mais sofridas do estado, sem falar de um povo trabalhador que não pode ver uma núvem carregada no céu que já marcha rumo a roça para cultivar a terra, entretanto, as falas de investimentos hídricos quase sempre não tem sido direcionadas ao povo sertanejo, região que mais precisa do apoio da máquna pública estadual.
E os nossos representantes municipais, bem como agora os assessores sertanejos da governadora, quantas reuniões já fizeram na tentiva de encontrar uma solução para a escassez de água, que pelo menos em Afrânio e municípios vizinhos o sofrimento acontece em via dupla, pois tanto as sedes dos municípios como a zona rural dos mesmos pedem socorro e já faz é tempo.
A pergunta que sempre fica sem resposta é a mesma.
Porque será que para o interesse deles nunca falta grana, mas para as reais necessidades de um povo tão trabalhador, sempre é muito difícil encontrar e posteriormente aplicar os recursos necessários?
Concluo essa matéria afirmando que ao invés desse oba, oba nas redes sociais, que mais se parece com exibição de looks e penteados, o que deveria estampar as páginas da internet nesse momento era a preocupação verdadeira do governo e dos gestores com a real situação que o povo está enfrentando sem enxergar sequer uma luz no fim do túnel que possa redundar em esperança.
Portanto se o que resta para nós cidadãos é esperar, vamos continuar esperando, porém pelo senso crítico de cidadão cobrando, porque se reividincando já é difícil, se aliando com a inércia será impossível de algo real nesse sentido acontecer.
Reportagem GSilva

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