
A deputada federal Marília Arraes comunicou nesta segunda-feira ao ex-presidente Lula, durante reunião em São Paulo, que deixará o PT. Sua intenção é disputar o governo de Pernambuco pelo Solidariedade. O anúncio da pré-candidatura deve ser feito até o fim desta semana.
A decisão de concorrer o governo pegou o comando petista de surpresa. Ao longo do fim de semana, o partido havia aceitado lançá-la ao Senado na chapa que será encabeçada pelo deputado Danilo Cabral (PSB).
Marília, porém,divulgou nota afirmando não ter sido consultada pela direção da legenda em Pernambuco. A deputada subiu o tom e disse que o PT usa seu nome como “massa de manobra”, e “fez de tudo” para inviabilizar sua candidatura em 2020, quando concorreu à prefeitura de Recife contra João Campos (PSB).
“Não fui consultada e não autorizei que envolvessem o meu nome em qualquer negociação, menos ainda que tornassem público, como se fossem os senhores do meu destino, sobretudo após meses de desgaste político e público feito por meio da imprensa, escondido sob manto do off e notícias de bastidores”, afirma a nota.
Marília tem se queixado, e repetiu isso a Lula, da falta de espaço no PT pernambucano, que é comandado pelo senador Humberto Costa. Na quinta-feira da semana passada, a sua insatisfação se tornou pública. Ela alega que não é ouvida sobre as decisões tomadas pela sigla.
A direção nacional do PT, então, interviu para tentar evitar a saída da deputada de 37 anos, vista como uma das poucas lideranças jovens em um partido que sofre para renovar os seus quadros. Foi a partir desse movimento que a sua indicação para concorrer ao Senado passou a ser cogitada. Até então, o grupo de Humberto Costa tinha preferência pelo deputado Carlos Veras.
A candidatura de Marília a governadora é considerada uma ameaça à supremacia do PSB em Pernambuco. O partido governa o estado há 16 anos e tem feito todos os movimentos políticos nos últimos anos para manter o governo local.
Na conversa em São Paulo, que durou cerca de uma hora e meia, a deputada reafirmou que apoiará Lula na eleição presidencial mesmo com a sua decisão de deixar o PT. O Solidariedade fará parte da aliança nacional em torno do petista.
Fonte: O Globo
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