A dificuldade ou a ausência de prazer no sexo em mulheres, conhecida como anorgasmia feminina, é mais comum do que se imagina. Segundo a psicóloga e sexóloga Alessandra Araújo, essa condição não é resultado apenas de fatores biológicos, e sim de uma combinação de aspectos culturais, psicológicos e de relacionamento.
O principal obstáculo é o desconhecimento da própria anatomia e a cultura da penetração”, explica Alessandra. A educação sexual, a pornografia tradicional e a cultura popular focam quase exclusivamente na relação vaginal, quando apenas cerca de 30% das mulheres atingem o orgasmo apenas pela penetração.
O clitóris, órgão exclusivamente dedicado ao prazer, é complexo, com a maior parte alocada internamente. A estimulação direta e consistente da glande é quase sempre necessária. Além disso, o peso da passividade feminina histórica impede a exploração ativa do próprio corpo e a comunicação sobre o que realmente funciona.
Bloqueios psicológicos: o cérebro antiprazer
O prazer feminino depende de relaxamento e segurança. Ansiedade de desempenho, vergonha, culpa e traumas passados ativam o sistema de alerta do cérebro, bloqueando a excitação. “Se a mente associa prazer a algo errado, o corpo se retrai e não permite sentir”, diz Alessandra.

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