PF mira diretor da Dataprev e ex-deputada em nova fase da operação contra fraudes bilionárias no INSS
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (17) mais uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Desta vez, a ação — batizada de Operação Indébito — mira um diretor da Dataprev e uma ex-deputada federal do Ceará, entre outros alvos.
Ao todo, são cumpridos dois mandados de prisão, 19 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares diversas no Distrito Federal e no Ceará. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos principais alvos da operação é Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Funcionário de carreira do INSS, Santos ocupa o cargo desde o governo Jair Bolsonaro e foi alvo de mandados de busca e apreensão em seu endereço, em Brasília.
De acordo com documentos da CPMI do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teve reuniões com Alan Santos na sede da Dataprev durante o governo passado. Careca foi preso em setembro do ano passado como um dos principais operadores do esquema.
Outra figura conhecida da política cearense que entrou na mira da PF é a ex-deputada federal e fisioterapeuta Maria Gorete Pereira (MDB-CE). Ela é investigada por sua ligação com uma das entidades suspeitas de participar das fraudes.
Segundo as investigações, Gorete teria recebido procuração da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), com poderes para celebrar Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS. Na prática, isso garantia à parlamentar ampla autonomia dentro da estrutura, incluindo a formalização de instrumentos que permitiam os descontos diretamente nos benefícios de aposentados.
A ex-deputada deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. As investigações apontam ainda que ela teria realizado transações consideradas suspeitas que somam quase R$ 245 mil entre os anos de 2018 e 2023.
Operação Indébito mira organização criminosa
A nova fase da operação é um desdobramento da Sem Desconto, que desde abril de 2025 investiga fraudes que teriam descontado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O esquema envolvia a inserção de dados falsos em sistemas oficiais para permitir a cobrança automática de mensalidades associativas nos contracheques, muitas vezes sem autorização dos beneficiários.
Entre os investigados estão dois presos na ação desta terça: a advogada Cecília Rodrigues Mota e Natjo de Lima Pinheiros, apontados como operadores do esquema. Segundo a PF, eles atuavam com o apoio de “testas de ferro” para movimentar os valores desviados.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
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