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| Geraldo Silva |
Não nos iludamos, as larvas de peçonhentos mosquitos ditatoriais, assim como os filhotes dos senhores das sombras do mal de 64, rebentos dos chicotes da ditadura e arquitetos dissimulados daquela tentativa de golpe recente, estão espalhadas por toda parte, tentando penetrar nas entranhas mentais das más formações cognitivas, se vangloriando de heróis sem o serem, enquanto se reorganizam para minar a nossa democracia.
Estão agarrados a termos novos a exemplo do agora conhecido "tráfico de influência".
E o que é o tráfico de influência, e desde quando existe no Brasil?
Nascido do terreno fértil do chamado “jeitinho brasileiro”, ele nada mais é do que:
- “Ter as costas quentes” — usar a amizade com alguém importante para conseguir o que se quer;
- “Molhar a mão” — pagar um intermediário para que ele convença uma autoridade;
- “Furar a fila” — conseguir privilégios, contratos ou cargos passando à frente de quem tem direito;
- “Troca de favores” — o famoso “uma mão lava a outra”, envolvendo dinheiro ou o poder público.
E a pergunta que fica: isso acontece desde sempre nos municÃpios, nos estados e na nação — ou só agora, com os filhos e amigos de polÃticos importantes e de magistrados?
Vivemos num mundo onde o tráfico de influência serve para angariar clientes e negócios. E como cobras e hienas na relva, esses ratos de piscina estão sempre prontos para abocanhar qualquer rastro que cheire a dinheiro, status e privilégios.
Diante disso, pergunto: vale a pena fixar o olhar apenas num recorte, numa manchete escolhida por tendência, maldade ou visão estreita de quem insiste em desconhecer a história? Quem ignora o passado não vê a dimensão dessa lama que, ao longo do tempo, já matou, tirou o sono e o sossego de um paÃs, deixou famÃlias com fome e roubou a alegria de mães que sequer tiveram o direito de enterrar os filhos perdidos na escuridão da maldade de avarentos e covardes — os ditadores, verdadeiros anjos do mal.
Usando o poder que emana do povo, esses homens berraram e arrotaram falso moralismo. Foram carrascos com os mais fracos, mas benevolentes e parceiros dos grandes ladrões e trapaceiros. E se permitirmos, farão tudo de novo.
Reflitam, brasileiros! Não esqueçamos: esses filhotes de serpentes e aves de rapina não desistiram. Por isso, mesmo reconhecendo que todos temos falhas — e que sem vigilância também podemos errar —, não vamos esquecer de quem foi valente o suficiente para impedir um golpe de Estado que nos roubaria os direitos. E não esqueçamos também dos herdeiros dessa vontade maldita e opressora: eles não desistiram — e nós também não podemos.
GSilva Independent

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