Há um fenômeno curioso e ao mesmo tempo doloroso na nossa política: quanto mais desprovido de recursos, cultura e visão crítica vive o eleitor, mais ele se sente fascinado e até orgulhoso de votar em quem está muito acima — em riqueza, em berço, em realidade — da sua própria vida. Parece um contrassenso, mas tem explicação que vem de longe, desde a formação do nosso povo. Muitos pensam assim: “ele é rico, então deve ser alguém de sucesso, alguém importante, alguém que pode me levar junto”. Fazem uma confusão ingênua: acham que quem tem muito dinheiro tem também sabedoria, bondade e vontade de partilhar. Esquecem que, na maioria das vezes, o político rico não enriqueceu para distribuir — enriqueceu para permanecer no topo, usando a carência e a esperança alheia como escada. E o mais impressionante: mesmo quando esses candidatos demonstram claramente que sentem nojo, distância e desprezo pelo povo, fechando os vidros dos carrões ao passar, evitando contato, tratando com indiferença depoi...
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