Vamos tirar o jargão técnico e falar a língua do povo, porque os números são claros e a história é conhecida:
🔢 Em miúdos, os números dizem o seguinte:
A prefeitura de Afrânio tem 1.267 pessoas trabalhando. Delas:
- 676 são contratados temporários — isso é mais da metade: 53,35% de todos os servidores
- 396 são efetivos — com estabilidade, direito conquistado
- 187 são comissionados — nomeados de confiança, sem concurso
Quando se compara só os temporários com os efetivos, a situação é ainda mais clara: 63 em cada 100 são temporários. E a lei diz que até o fim deste ano esse número não poderia passar de 50%. Ou seja, a prefeitura está acima do limite permitido — e bem acima. A tendência é que esse limite caia ainda mais nos próximos anos: para 40% em 2027 e 30% em 2028.
💬 Agora, a pergunta que não quer calar
Isso significa, na prática, que demissões estão vindo por aí. Mas não só por causa dessa exigência da lei, porque não é a primeira vez que mais ou menos neste periodo do ano isso acontece, não. Quase todo ano com a queda da arrecadação que gera a queda dos repasses, adicionado a falta de controle fiscal, levam inúmeros pais de famílias a perderem seus sustentos de uma hora para outra, e é exatamente por isso que questiono: Porque não se precaver quando já se sabe há tempos dessa projeção de contenção de gastos num determinado periodo do ano, e em vez de ficar usando linguajar embaraçoso toda vez para preparar os futuros demitidos, não se trabalha sério para efetivar os pais de famílias em definitivo objetivando livrá-los dessa angústia?
A pergunto é bem simples: por que continuar contratando ano após ano, se a lei já dizia que isso não podia crescer assim? Por que não abrir concurso público e efetivar quem já faz o trabalho bem feito? Não seria o político correto? Se já tivessem sido efetivados não poderiam ser mandados embora do nada — têm estabilidade, têm direito garantido.
Enfim, por que insistem nos temporários, sabendo que cedo ou tarde a porta vai fechar? A resposta parece óbvia demais para ser ignorada:
Um funcionário efetivo vota em quem quiser. Não tem chefe ameaçando seu emprego a cada eleição. Já o contratado... sabe muito bem que seu emprego está na mão de quem o contratou.
É mais fácil manter uma equipe que "obedece" porque tem medo de perder o ganha-pão do que investir em servidores concursados, independentes e seguros no seu direito. Será que é isso?
Prefeitos dizem que é "mais prático", "mais flexível". Mas prático para quem? Para o serviço público funcionar bem — ou para manter todo mundo na dependência? 🤔
Fica a pergunta no ar. Quem viver, verá quem vai bater à porta primeiro quando a lei bater à porta da prefeitura. E não será a lei e nem o prefeito que que vão perder emprego, não, claro que não, afinal como é que diz o velho ditado? - "A corda sempre quebra do lado mais fraco".✊
GSilva Independent

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