A grande e responsável discussão que agora deve ocupar as pautas nacionais precisa ir muito além de pensamentos singulares, de mentes emocionadas por um partido, por um nome ou por uma ideia seletiva e tendenciosa, movida pela pobre visão do "nós contra eles". Isto não é um jogo. Não deve ser uma competição improdutiva alimentada pelo ódio, pela vingança ou pelo desejo de revolta. É o Brasil e o seu destino que estão em jogo. São as desigualdades sociais acentuadas, que marcam cada região do nosso país, que devem passar a ser o foco central da discussão — e o que cada um dos candidatos, Lula ou Flávio Bolsonaro, fará para que elas não aumentem ou para que continuem diminuindo.
Qual dos dois terá a capacidade de colocar em prática um modelo de governo abrangente, onde caibam todos, e onde as grandes discussões em prol do bem-estar social se estendam a todo o Brasil — inclusive ao Nordeste?
Não dá para olhar para frente sem lembrar: num período não muito distante, a maioria do povo nordestino sobrevivia das chamadas frentes de emergência, oferecidas como favor, como migalhas que caíam da mesa de seus senhores — fruto de um olhar preconceituoso de quem, lá de cima, via a nossa região com indiferença.
E agora é justo perguntar: se Flávio Bolsonaro for eleito, como ele vai digerir e depois, sem mágoa, traduzir em projeto de governo para o Nordeste os números que sempre foram contrários à política dele e, em especial, à do seu pai? Ele vai se afirmar como um Flávio presidente de visão ampla, capaz de enxergar e acolher as reais necessidades de uma região que a história mostra ter sido, ao longo dos tempos, tratada com indiferença? Para onde vai direcionar a potência da máquina pública que vai administrar: para as regiões onde sempre foi majoritário, onde os PIBs são maiores — ou vai nos incluir num projeto de governo para todos, mesmo sabendo que a nossa região sempre foi, em matéria de votos, o grande calcanhar de Aquiles dele e de seu pai?
Enfim, que a euforia desça. Que a empolgação e a emoção também deem espaço. Chegou a hora de olharmos para frente e pensarmos com serenidade: que projeto de governo está por vir para o povo brasileiro e, em especial, para o nosso povo nordestino? Que a discussão seja real, racional e fundamentada nos registros da história — porque o Nordeste merece mais do que aplausos de palco: merece respeito, atenção e lugar garantido no futuro do Brasil! 🗳️✊🇧🇷

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